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Matéria escura, de Blake Crouch

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Capa de Matéria escura, de Blake Crouch

Imagem de divulgação: Intrínseca.

Neste post, comento Matéria escura, de Blake Crouch, mais um livro da série sobre leituras que avaliei no Goodreads.

Jason Dessen dá aulas de física em uma faculdade de Chicago e mora no bairro de Logan Square com a esposa, Daniela, e o filho, Charlie. Numa quinta-feira de outubro, ele sai de casa para brindar o prêmio de um amigo no bar da esquina e promete voltar com sorvete. Na volta, um homem com máscara de gueixa o rende com uma arma e o leva para uma usina abandonada. Quando Jason acorda, um estranho sorri para ele e diz: "Bem-vindo de volta, amigo." Essa é a premissa de Matéria escura, romance de Blake Crouch publicado nos Estados Unidos em julho de 2016 pela Crown e lançado no Brasil pela Intrínseca, com tradução de Alexandre Raposo.

A primeira edição brasileira saiu em 2017. A nova edição, de agosto de 2023, tem 352 páginas. A dedicatória diz: "Para todos aqueles que já se perguntaram como teria sido sua vida se tivessem pegado a outra estrada." A epígrafe traz versos de "Burnt Norton", de T. S. Eliot, sobre o caminho não escolhido e a porta que nunca abrimos.

Linha do tempo de Matéria escura, do manuscrito à série

Gráfico elaborado para este post com dados da Wikipedia ("Dark Matter (Crouch novel)" e "Dark Matter (2024 TV series)") e da Intrínseca.

O autor

William Blake Crouch nasceu em 15 de outubro de 1978, perto de Statesville, na Carolina do Norte. Formou-se em 2000 pela Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, em inglês e escrita criativa, e começou a escrever contos e rascunhos de romances ainda no ensino fundamental. Os dois primeiros romances, Desert Places e Locked Doors, saíram em 2004 e 2005. Em 2011, publicou por conta própria a versão digital de Run. A trilogia Wayward Pines, de 2012 a 2014, virou série de TV na Fox em 2015, e Good Behavior estreou como série em novembro de 2016. Depois de Matéria escura, Crouch publicou Recursão, em 2019, que venceu o Goodreads Choice Award de melhor ficção científica, e Upgrade, em 2022. Segundo a Intrínseca, que também lançou Recursão no Brasil, ele mora no Colorado.

Blake Crouch na WonderCon de 2016, em Los Angeles

Blake Crouch durante a WonderCon, em Los Angeles, em março de 2016. Foto: Gage Skidmore (redimensionada), Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

A história

Jason narra o livro em primeira pessoa, no presente. Quinze anos antes, Daniela era uma artista promissora em Chicago, com estúdio em Bucktown e uma primeira exposição individual marcada em Nova York. Depois vieram Jason, o nascimento de Charlie e uma depressão pós-parto incapacitante, e hoje ela dá aulas particulares de arte. Jason também deixou para trás a ambição de pesquisador, que envolvia criar a superposição quântica de um objeto visível a olho nu, e passou a ensinar física básica na Lakemont College. A noite do sequestro começa com a festa de Ryan Holder, colega de quarto dos tempos de faculdade, que acaba de ganhar o prêmio Pavia, de um milhão de dólares, por um trabalho que identifica o córtex pré-frontal como gerador da consciência. No bar, Ryan diz a Jason que ele teria mudado o mundo se tivesse seguido na pesquisa.

Depois do sequestro, Jason acorda em um laboratório, em uma Chicago onde ele decidiu, quinze anos antes, não se casar com Daniela e seguir a carreira de físico. Nesse mundo, Charlie nunca nasceu, e a versão local de Jason construiu um cubo de metal que permite circular entre os mundos criados por cada desfecho possível de cada acontecimento. Os cientistas do laboratório acham que ele é o Jason dali, o primeiro a voltar de uma viagem no cubo. Com a ajuda de Amanda, psiquiatra do laboratório, Jason foge para dentro do cubo. A travessia depende de uma substância psicoativa, guardada em frascos que vão acabando, e a cada salto os dois chegam a uma versão diferente de Chicago, de uma terra arrasada por guerra nuclear a um deserto ártico. Enquanto isso, outra versão de Jason ocupa o lugar dele em casa, ao lado de Daniela e Charlie.

Como o livro surgiu

Crouch discutiu as primeiras ideias do livro em 2014 com o escritor Marcus Sakey, com quem costumava fazer sessões de brainstorming. O interesse dele por mecânica quântica começou com um artigo da Scientific American e cresceu quando o físico experimental Aaron D. O'Connell colocou em superposição quântica, pela primeira vez, um objeto grande o bastante para ser visto a olho nu. Crouch então se perguntou por que objetos do dia a dia, e até pessoas, não poderiam ocupar várias realidades ao mesmo tempo, como as partículas microscópicas. Ele escolheu Chicago em parte por apego e em parte pela paisagem da cidade, com o lago e a silhueta dos prédios. O título vem da ideia de que a vida tem muitos mistérios abaixo da superfície, escondidos como a matéria escura do universo.

Em novembro de 2014, com o manuscrito ainda incompleto, com 150 páginas escritas, a Sony Pictures fez uma oferta antecipada de 1,25 milhão de dólares pelos direitos de adaptação. O projeto de filme foi trocado por uma série, anunciada em dezembro de 2020, com produção da Apple Studios e da Sony Pictures Television.

A série

A série estreou na Apple TV+ em 8 de maio de 2024, com Crouch como criador e showrunner. Joel Edgerton faz Jason, Jennifer Connelly faz Daniela e Alice Braga faz Amanda. As filmagens aconteceram principalmente em Chicago, durante seis meses, a partir de outubro de 2022. A primeira temporada teve nove episódios. A segunda, com dez, estreou em 28 de agosto de 2026, e o último episódio está previsto para 30 de outubro.

Recepção

O livro concorreu ao World Technology Awards de 2016 e ao Goodreads Choice Award de ficção científica do mesmo ano. Alison Flood, no Guardian, escreveu que o romance não tem nada de sensato e que assume o próprio absurdo com prazer. Ela considerou comovente o amor de Jason pela família, achou o enredo bem amarrado e elogiou a reviravolta final, mas criticou o hábito de Crouch de quebrar a narrativa em parágrafos de uma linha.

Jason Sheehan, na NPR, fez a mesma crítica ao estilo, que para ele começa irritante e termina anestesiante, e observou que quase todo o livro é uma grande perseguição. Mesmo assim, disse que passou vinte minutos subindo e descendo de elevador para terminar um dos capítulos finais e chamou a reviravolta de merecida e original. Andrew Liptak, no The Verge, comparou o livro aos tecno-thrillers de Michael Crichton e contou que o leu de uma vez só, mas sentiu falta de desenvolvimento em Daniela, Charlie e Amanda e nas várias versões de Jason.

Li o livro em janeiro de 2023 e dei cinco estrelas no Goodreads.


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